Notícia | Letras Garantidas Imobiliárias (LIGs) só chegarão ao mercado em 2016, estima Abecip

Notícia publicada em: 20/05/2015

Instrumento poderá apresentar taxa de captação mais baixa do que as verificadas em outros papéis com lastro imobiliário, segundo representante do Ministério da Fazenda

As Letras Garantidas Imobiliárias (LIG) só deverão chegar ao mercado no próximo ano, de acordo com estimativa de Octavio de Lazari Junior, presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). As LIGs ainda aguardam regulamentação por parte do Conselho Monetário Nacional (CMN), o que deve ocorrer até setembro, prevê Lazari. "Se toda a legislação estiver prontinha até lá, teremos todas as condições para testar o produto no ano que vem", afirmou o executivo nesta quarta-feira (20), em conversa com jornalistas durante evento sobre as sobre as LIGs promovido pela associação.

 

O subsecretário de Regulação e Infraestrutura do Ministério da Fazenda, Pablo Fonseca, afirmou em sua palestra no evento que espera crescimento desse novo título no médio e no longo prazo, em um ritmo semelhante ao verificado com as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), cujos saldos levaram entre quatro e oito anos para atingir um patamar relevante no mercado financeiro. "A LIG vai demorar um pouco para crescer, e não há o que o governo possa fazer em relação a isso, pois depende do mercado. Não é uma solução de curto prazo", afirmou. 

O saldo das LCIs atingiu R$ 175,8 bilhões em abril, enquanto o dos CRIs chegou a R$ 55,7 bilhões no mesmo mês, de acordo com dados apresentados pelo subsecretário. Fonseca disse também que as LIGs têm condições de apresentar uma taxa de captação mais baixa do que as dos demais instrumentos, uma vez que esse título conta com dupla garantia. 

O presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Claudio Bernardes, disse acreditar que as LIGs representam uma alternativa importante de funding para setor imobiliário, especialmente em meio à perda de recursos da poupança. "Esse cenário vem nos preocupando nos últimos anos", disse. 

Um dos problemas apontados para o lançamento do instrumento financeiro no curto prazo é a taxa básica de juros elevada, no patamar de 13,25% ao ano. Caso os bancos façam captação de recursos nesse ambiente, terão que realizar financiamentos na faixa de 15% a 16% a.a. para o setor de construção, o que inviabiliza os projetos. "A taxa de juros mais baixa é um fator preponderante para a colocação futura do produto no mercado", ressaltou Lazari. 

Novo instrumento de funding

A LIG servirá como uma nova fonte de recursos para o mercado imobiliário. O instrumento foi criado pela lei 13.097, de 19 de janeiro, e aguarda regulamentação do CMN para que possa ser comercializado. A LIG é um título emitido por bancos e composto por uma carteira de ativos imobiliários. Seu ponto forte é possuir a garantia da instituição financeira e do próprio lastro, compondo, portanto, uma garantia dupla para investidores. 

Outro destaque é que os rendimentos serão isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas e para estrangeiros. Com isso, é esperado que a LIG atraia um volume significativo de investimento externo. Essa expectativa é reforçada pelo fato de que os Estados Unidos e a Europa já negociam há décadas um produto financeiro com características semelhantes à LIG, chamado covered bond, e que também serviu de modelo para a criação do instrumento brasileiro.

 

 

 


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